Bauzinho da Anna

"Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente."


(Érico Veríssimo)
Quando o amor era medo a vida era andar por entre espinhos… Todo doente pede uma enfermeira com peitos grandes e amor pra dar, nem toda sombra vem da palmeira, nem toda água desagua no mar… Às vezes você se comporta como se não estivesse a fim, às vezes você se comporta… Não sei o que você espera de mim.

— Quando O Amor Era Medo, Frejat

— 2 days ago
#frejat 
Esqueci minha boca no teu corpo, pensei que isso te faria meu. Usei de artifícios, gastei meus truques… Depois, quem escapou fui eu. Não pense que eu não desejei, não diga que eu não quis, é só que eu me assustei ao me ver tão feliz…

— Romeu, Agridoce

— 2 days ago
Eu beijo o beijar desse beijo estranho em silêncio, eu quase não penso, quase respiro esse respirar… Toc-toc-toc… Mãos estranhas abrem minha roupa… Hm-hm… Meu futuro já vai começar. Não sei quem é ele, pode ser quem eu quiser… Não sei quem sou eu, posso ser quem ele quiser.

— Mãos Estranhas, Kid Abelha

— 2 days ago
#Kid Abelha 
Sol de domingo, improváveis amantes sem medo de suar no calor. No calor, no calor e na chuva, dormindo no calor, no calor sob a luz dessa sombra… Improváveis amantes sob a luz dessa sombra.

— Sol De Domingo, Frejat

— 2 days ago
#frejat 

(…) Voltei a trocar olhares contigo e isso era devastador, como se fosse possível mergulhar em seus olhos e me encontrar nadando em seus segredos. 
Faah Bastos

— 2 days ago
#Faah Bastos 

Bucolismo, essa era a palavra que faltava entre nós, e jamais pensei que ser altamente bucólico em um beijo me faria saltar por entre pensamentos e adormecer naquela boca que me chamava. Não era apenas um roçar de lábios, era uma manifestação de prótons, nêutrons em camadas diversas que explodiam nos mais variados e deliciosos sabores. Era revigorante perder minha língua na sua, ovacionando nosso sentimento com uma glória que apertava a minha alma, enquanto minhas mãos deslizavam com uma demora pela trilha de pele em sua coxa, puxando seu corpo para o centro do meu peito que saltava em galopes refinados de uma respiração apressada. Eu estava retornando ao meu lar, de volta aos seus lábios como jamais haveria de ter deixado de fazer parte, de habitar os cômodos do seu corpo com a devassidade em minha boca. Eu queria você da mesma forma que precisava puxar o ar com força para dentro de mim. E a cada momento que sugava a sua língua com tamanha intensidade, não era de amor que me alimentava, mas apenas de você. 
Trecho de “As borboletas também choram” - Faah Bastos

— 2 days ago

Devemos andar sempre bêbados. 
Tudo se resume nisto: é a única solução. 
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar. 
Mas com quê? 
Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto. 
Mas embriaga-te. 
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas duma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gemeu, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são: 
“São horas de te embriagares!” 
Para não seres como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar! 
Com vinho, com poesia, ou com a virtude, a teu gosto.

Charles Baudelaire 

— 2 days ago
#Charles Baudelaire 

“Não procureis a originalidade. Ela acompanha, o mais das vezes, inteligências medíocres. Só tem direito de ser original quem não procura sê-lo. O gênio não é feito apenas de originalidade. Esta precisa de ser a expressão do pensamento ou da aspiração universal. A originalidade, por si só, é qualidade negativa; precisa de juntar-se a outra para ter valor, e este valor dependerá da qualidade positiva que a acompanha.”

— Joaquim Nabuco
— 2 days ago
#Joaquim Nabuco 

“De quando em quando, ressoava no âmago do seu peito uma vozinha suave, como que agonizante, a exortá-lo bem baixinho e a queixar-se quase imperceptivelmente. Nessas horas, Sidarta, por uns poucos instantes, dava-se conta de que levava uma existência estranha, de que se limitava a fazer coisas que não passavam de um brinquedo. Notava então que tudo isso lhe causava um certo prazer e amiúde o alegrava, mas que a verdadeira vida decorria longe dele, sem tocá-lo. Assim como um malabarista brinca com suas bolas, assim brincava ele com seus negócios e com os homens que o rodeavam. Contemplava-os, divertia-se à sua custa, sem que o seu coração e a fonte da sua alma participassem dessas atividades. Essa fonte jorrava em outra parte, muito distante da sua pessoa; jorrava e prosseguia jorrando, invisível, sem nada ter que ver com a vida de Sidarta. E momentos houve em que ele se assustou de tais pensamentos, desejando que lhe fosse dado, também a ele, participar apaixonadamente, de todo o coração, daquelas ocupações cotidianas, infantis. Almejava viver realmente, gozar realmente, agir realmente, ao invés de restringir-se ao papel de um mero espectador.”

— Hermann Hesse
— 2 days ago
#Hermann Hesse 

“Eu sinto o cheiro da embriaguez dos seus beijos em mim, aceitar essa benevolência da alma, me corrói a face desesperada por uma volta que não chega, não bate à porta dos meus segredos e refaz a trilha esquecida por nós. Sinto frios que não se conjugam com os verbos que teimam correr por seus lábios sempre que nos encontramos ao cair das estações, como duas imaturas almas que não descobriram as rotas perfeitas para o amor – será que existem? Aglutinados a um passado não silenciado, agita-se sempre ao sopro mais suave dos anjos, permanecemos intactos nesse ponto morto da história, não damos passos para frente, nem somos capazes de olhar para trás. Esquecidos nesse ponto do conto que deveria ser de perfeitas fadas, não prosseguimos, deixamos de sentir o sabor do mundo, as cores em nossos dedos falhos. Não fazem mais sonetos para louvar o amor que floresceu em nós, mas assim como os espinhos da mais bela rosa, nos ferimos propositalmente com a intenção em desvendar se seríamos capazes, mas não somos.

Nos tornamos bucólicos, desprovidos de voltas que não ocorrem, chuva vencida pela poeira das lágrimas ressecadas pelo vento, pálpebras semicerradas, encorajadas pela escuridão e um rastro minúsculo de sol. Somos esculturas de um cemitério de sentimentos, largados pela trajetória oculta do amor. Somos crianças brincando de cirandar um ao outro. Falhamos. E não estamos prontos pra recomeçar. 

Saudade se torna forte ao amanhecer em nós.”

— Faah Bastos

— 2 days ago
#Faah Bastos 

“Amo-te com o calor de dois sóis. Desejo-te como a corsa à procura de fontes para saciar sua sede. Espero-te como os fiéis o fim dos tempos e como as corujas o entardecer para que enxerguem a presa. Procuro-te diante do resplandecer de uma nova manhã quente, macia e incompleta. Vejo-te em meus devaneios durante as tardes de primavera, em que as flores me trazem o teu nome e os bem-te-vis levam até os teus ouvidos meu canto de saudade. Toco-te em minhas preces, para que um dia retornes, para que um dia regresses ao destino que nossas paixões traçaram aos nossos corações angustiados. Olho-te ao longe, aos poucos, às pressas, para que não notes essa dependência mórbida que tenho de ti e fujas com medo. Sinto-te ausente, mesmo que tão perto, quando teus olhos encaram os meus e não respondem ao meu sorriso de entrega. Aguardo-te aqui, como os passarinhos esperam o inverno para que voem para o sul, como os poemas anseiam o inverso, para que sejam mistério. Espero-te às oito, às nove, às dez, às onze, com pausa à meia noite pro café e pro cigarro. Assim te quero todos os dias, como última sentença declarada a um coração despedaçado, que busca nas agonias dos ais e améns o aconchego de uma chegada nunca vinda.”

— Neemias Melo
— 2 days ago
#Neemias Mel 

O mundo não sabe, mas deveria saber, que você é um furacão de pernas e braços, instigando um temporal quando o fogo arde nos lábios com o sabor almíscar do desconhecido. Passeia os dedos pelos móveis mergulhados na poeira, fazendo solidão em metade desse terreno baldio envolto em sombras terráqueas de um coração morto. E estupra-me a inocência, porque volto a ser cinza quando a nudez me expõe ao ridículo dos teus olhos. O mundo não sabe, mas deveria saber, que você tem um riso bruto e cru; lapidado como o orvalho fresco da manhã em flores secas. Que é um espião árduo, absorto e em silêncio detrás da cortina, arrastando uma fresta até que possa examinar o que há no interior do quarto. Pinta as sessenta luas do mês na parede, assim como desenha uma linha frágil de estrelas fazendo trapézio no céu noturno. Todas caíram quando você pôs a lâmina afiada sob a minha garganta, asfixiando o suspiro e a calmaria. Pode trazer essa tormenta ao meu palco, entretanto, não haverá espetáculo se o sopro do violão não contar o atalho que tomamos para encurtar a estrada da distância. Vê que permaneço isolada contra a porta, a cabeça entre os joelhos, jorrando a dor alagadiça nesse mar de vidro que me arrebenta por dentro quando a ausência fala mais alto. É insuportável; esses gritos.

O mundo não sabe, mas deveria saber, que foi você o culpado pelas flores que roubei do vizinho antes do pôr-do-sol e não devolvi. Foi por tua arrogância trôpega em me pedir para ficar quando eu devo ir, quando posso me atrasar para o trabalho, quando o mundo lá fora espera por mim e os teus braços férreos me prendem nos lençóis assombrados com o teu cheiro de terra molhada. Ninguém sabe, mas todos deveriam saber, que você fez ventar no telhado naquela noite e quase pude enxergar o sopro gigante na palma da minha mão, as costas sofrendo o peso de uma avalanche quando o som da sua voz corta a névoa do tempo; faz do meu corpo um âmbito de bocas trêmulas que conspiram e gritam devido ao incêndio que me queima de dentro para fora. O mundo não sabe, meu amor, mas deveria saber, que você é meu. E que te quero inteiro, para nunca ir embora, para calar os silêncios e fazê-los em diálogos; para não desprezar os prazeres malditos que envolvem o embaraço em seu cabelo. Para ser tua, toda tua, na cama ou nas flores, nas pedras e nos muros, nas rejeições e nas súplicas, nos uivos e nos prantos, nos gemidos de dor e nas amarras, nas chuvas e nos sóis escuros. Você não me deu certeza de nada, mas eu gosto do perigo. E cada minuto é assassino. O mundo deveria saber que o barulho lá fora não é tão assustador quanto o silêncio aqui dentro.

Mas ninguém sabe. Nunca souberam de nada. 

Camila M. Paiffer

— 2 days ago
#Camila M. Paiffer